SOBRE

fotografias de Fernanda Chemale
poesias de Gisela Rodriguez
Uma produção de Liége Biasotto.

Ophelia | Gisela Rodriguez

Ophelia | Gisela Rodriguez

As fotos de Fernanda Chemale inspiradas nos poemas de Gisela Rodriguez compõe DESORDEM,  livro e exposição que apresentam uma poética visual, o contraponto do homem contemporâneo em uma cena dramática atemporal e cotidiana, de solitude e desordem.

São relações entre passado, presente e futuro que enfatizam um plano suspenso, quimérico e fabuloso, oferecendo um retrato do cenário urbano de uma sociedade permeada por relações interpessoais falidas e interligadas por medos, imaginações, emoções e modos de vida. O livro, uma brochura de 144 páginas em formato 20×22, tem direção de produção de Liége Biasotto e Design Gráfico de Flávio Wild e foi realizado através do Financiamento Fumproarte, Fundo Municipal de Apoio à Cultura e à Produção Artística de Porto Alegre.

A encenação contou com o talento de Daniel Lion (figurinos), Marco Fronckowiak (cenografia e assistência de direção), Juliane Senna (maquiagem), Carol de Góes (fotos de making of e versão para o inglês) e André Varela (assistente de produção).

O livro tem apresentação do escritor Paulo Scott e do curador e pesquisador de fotografia Titus Riedl. Conta ainda com as participações especiais de Alexandre Antunes, Alexandre Fávero, Eduardo Aigner, JP Pax e Lidia Brancher, Paul Azevedo.

Nas cenas icônicas, estão artistas e personalidades gaúchas:

Sandra Dani, Luiz Paulo Vasconcellos, Wander Wildner, Lauro Ramalho, Elison Couto, Ena Lautert, Beatriz Borges, Clarice Nejar, Elisa Volpatto, Heinz Limaverde, Kátia Suman, Deborah Finocchiaro, Eduardo Bueno, Pascal Berten, Zé da Terreira, Otto Guerra, Castanha, Dommenique de Luxor, Rochele Zandavalli, Gica Beatnik e Edu K. A poetiza  Gisela Rodriguez mergulhada em seus conflitos protagoniza  “Ophelia” entre os 20 personagens que compõe a série.

financiamento FUMPROARTE

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DISORDER, book of photos from Fernanda Chemale and poems from Gisela Rodriguez, proposes a symbolic narrative of the contemporary man, raising an atmosphere of  timelessness, solitude and disorder. The result are relations between the past, present and future which emphasize a suspended, chimerical and fabulous plan offering a portrait of the urban scenery of a society permeated by interpersonal broken relations and interconnected by fears, imaginations, emotions and lifestyle. The book, a 144 page brochure in format 20×22, has direction of production by Liége Biasotto and Graphic Design by Flávio Wild. It was made through Fumproarte, Municipal Fund of Support Culture and Porto Alegre´s Artistic Production.

The poems of Gisela Rodriguez challenge the order of human and personal existence, as well as political and social, insinuating a “hidden” protagonist, an anti hero in search of freedom which  he  believes is still  possible watching the society around and the “disorder” of feelings.

Chemale´s images are created by archetypes characters representing a historical collective unconscious. They are in vertigo in public spaces of Porto Alegre, evoking a dramatic universe in counterpoint to the everyday and fragmented speech  of the city.

The staging had the talent of Daniel Lion (costumes), Marco Fronckowiak (scenography and assistance of direction), Juliane Senna (make up), Carol de Goés (making of photos and english version) and André Varela (assistant production). The book has the presentation of the writer Paulo Scott and of the curator and researcher of photography Titus Riedl. Has the special participation of Alexandre Antunes, Alexandre Fávero, Eduardo Aigner, JP Pax e Lidia Brancher, Paul Azevedo.

The exhibition will show 20 iconic scenes originally designed to the book DISORDER,, among the artists are Sandra Dani, Luiz Paulo Vasconcellos, Wander Wildner, Lauro Ramalho, Elison Couto, Ena Lautert, Beatriz Borges, Clarice Nejar, Elisa Volpatto, Heinz Limaverde, Kátia Suman, Deborah Finocchiaro, Eduardo Bueno, Pascal Berten, Zé daTerreira, Otto Guerra, Castanha ,Dommenique Luxor, Rochele Zandavalli, Gica Beatnik and Edu K and the poetess Gisela Rodriguez starring “Ophelia” among the 23 characters that composes the series.

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A vida da metrópole, em narrativa linear, é intraduzível – mas, pela poesia e pela fotografia, parece possível decodificá-la. Gisela Rodrigues e Fernanda Chemale apresentam uma obra em coautoria, cada uma com sua linguagem preferida, sua paixão e seu lirismo particular, numa instigante miscelânea de imagens e sonoridades expressivas.  As personagens principais são a cidade e são elas mesmas, seus amigos, suas angústias, suas apreensões, seus desejos e suas fantasias. O desassossego, a desordem, a solidão, o sofrimento e a busca por encantamento no caos da cidade grande: o resgate da alma sensível, desde os tempos de Fernando Pessoa, parece ser somente possível através da força de criação e da sublimação poética. Desordem é uma metáfora para a busca de sentidos por meio da arte, um livro de sobrevivência. E tanto Gisela como Fernanda se mostram apaixonadas pela arte – em praticamente todas as suas facetas: apresentam um caleidoscópio alucinante que evoca, entre outros, os mitos da antiguidade, o cinema, o teatro, a literatura moderna, as artes plásticas, bem como as lendas urbanas contemporâneas, o grafite, o jazz, o rock, a sonoplastia do aglomerado urbano, da grande cidade, de uma terra em transe.

         Eis a vantagem da poesia diante do conto e do romance: dispensa um roteiro, uma linearidade, uma conclusão. Da mesma forma, a fotografia mantém uma autonomia diante do cinema e também diante do teatro: ela provoca associações, não se impõe, não manipula, apenas busca persuadir, cativar, seduzir, fascinar.   

         As autoras não se revelam apenas apaixonadas pelas artes, mas pelos artistas: assim, os retratados por Fernanda não parecem meros modelos e figurinos, mas, cada um, uma personalidade que representa a vida criativa de Porto Alegre. Entre eles parece haver mais do que uma ligação: não só pelas gerações presentes, mas também pelos laços e redes afetivas que o mundo artístico é capaz de estabelecer.  Autores e atores, artistas e personagens, disfarces e fantasias entre o narcisismo e a melancolia. Fernanda foge, neste seu trabalho mais pessoal, da postura passiva comumente atribuída ao fotógrafo. Ela assume uma atitude de máxima liberdade; age ao mesmo tempo como diretora, coreógrafa, cenógrafa, produtora e mestre de cerimônias. Reunindo os seus amigos, ela explode em criatividade: a partir de performances teatrais surgem composições fotográficas das mais divertidas, sem medo do “kitsch” e do “trash”, motivadas por um enorme prazer estético; as imagens projetam realidades estendidas, apontam para novas possibilidades, para novas encenações, novos jogos, novos enredos e novas relações.  

         Nas fotografias percebe-se personagens de um teatro algo familiar – e que, ao mesmo tempo, torna-se enigmático. São os atores que criam as personagens? Seriam as personagens que caracterizam os atores? Seriam as imagens, no fundo, autorreferenciais, autorretratos fictícios?  Fernanda mostra o domínio dos recursos fotográficos de maneira mais ampla; brinca com os tempos, os movimentos, os ritmos e as matérias: as acelerações do tempo, o tempo suspenso, as flutuações, os pulos e saltos, na água, na terra, no fogo e no ar. Como mais um motivo, dentre outros, aparece o jogo de cartas, símbolo da vida e da morte, e que pode ser interpretado como contradição, pois o tempo da fotografia parece único, e a imagem fotográfica, uma carta só. Nesta ambivalência, Fernanda dialoga com a poesia de Gisela, aberta em seus desfechos, livre em suas associações, numa atitude lúdica e cheia de imaginação. Para deleite do leitor e do espectador, seus olhares sempre são acompanhados por um leve ar libertador, um elemento emblemático de seu trabalho e que parece ser uma compreensão do momento atual: dedicar-se ao seu mundo com paixão e ironia.

Titus Riedl, 2014

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Metropolis life, in linear narrative, is untranslatable – but decoding it through poetry and photography does seem possible. Gisela Rodriguez and Fernanda Chemale are coauthors in this present work – each in their preferred language, passion, and personal lyricism in an instigating miscellany of images and expressive sonority. The main characters are the city and they themselves, their friends, their woes, their concerns, their desires and their fantasies. The restlessness, disorder, solitude, suffering, and the search for magic in big city chaos: the redemption of the sensitive soul, since the time of Fernando Pessoa, only seems possible through the power of creation and of poetic sublimation. Disorder is a metaphor for the pursuit of sense through art, a book of survival. And both Gisela and Fernanda show passion for art – in practically each of its facets. They show a hallucinating kaleidoscope that evokes, among other things, the myths of old, cinema, drama, modern literature, the fine arts, as well as contemporary urban legends, graffiti, jazz, rock, the buzz of urban gatherings, of big cities, of an entranced earth.

Such is the advantage of poetry over stories and novels: it does without a plot, linearity, a conclusion. In the same way, a photograph stands for itself when compared to cinema and to drama: it prompts associations, it does not impose itself, does not manipulate. It just tries to persuade, captivate, seduce, fascinate.

The authors do not just seem passionate for the arts, but for the artists: that way, those portrayed by Fernanda are not mere models in costumes, but each a persona who represents the creative life of Porto Alegre. Among them, more than a connection: not just for the present generations, but also for the affective ties and networks that the art world is capable of establishing. Authors and actors, artists and characters, disguises and costumes amidst narcissism and melancholia. In this more personal work, Fernanda is far from the passive posture commonly attributed to photographers. She adopts an attitude of maximum freedom; she is, at the same time, a director, a choreographer, a set designer, a producer and a master of ceremonies. Gathering her friends, she explodes in creativity: in theatrical performances, playful photographic compositions arise, fearless of kitsch or trash, motivated by some huge aesthetical pleasure; the images project extended realities, they point to new possibilities, new scenarios, new games, new plots and new relations.

In these photos, one may perceive characters of a somewhat familiar drama – which, at the same time, turns enigmatic. Is it the actors that create the characters? Is it the characters that create the actors? Are the images, deep down, self-referred, fictitious self-portraits? Fernanda boasts the mastery of the photographic resources in a broader manner: she plays with time, movement, rhythms and matters; the passing of time, suspended time, fluctuations, leaps and jumps, in water, on land, in fire and in air. As one more motif, among others, along comes the tarot, a symbol of life and death, and which may be interpreted as a contradiction, for the time of photography seems unique, and the photographic image, one single card. In this ambivalence, Fernanda’s photography dialogs with Gisela’s poetry, open in its closures, free in its associations, in a spirited and imaginative attitude. To the delight of readers and viewers, their gaze is always followed by a flowing, freeing air, an emblematic element of their work and what seems to be an understanding of our current time: to dedicate to our world with passion and irony.

Titus Riedl

Photography Researcher and History Professor

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O que pedir de um poeta senão aquilo que somente ele pode dar? A voz e a loucura, a saudade e as rupturas sanguíneas que somente da sua escrita possam surgir, enfatizando que, apesar dos desastres, a vida vale a pena, e a arte vale a pena.

Há alguns poemas neste álbum que realmente me fizeram – primeiro na leitura e depois nas releituras – largar absolutamente tudo que eu estava fazendo nesta minha rotina de escritas aqui no Rio de Janeiro para pensar sobre o que disseram; porque estabeleceram e me cercaram de empatia e de sentidos pouco habituais nesta vida que não deveria ser pressa.

Uma geração nunca cessa de ser geração e, admitindo o diálogo e a imponderabilidade dos diálogos, uma espécie disfuncional de eternidade. Penso que aqui há uma voz que merece ser escutada. Nela há enfrentamentos e testemunhos, e há também uma paixão, sugerida a partir do momento em que não se admite mais certos confortos (talvez por reconhecer que determinado conforto é morte; não sei, caberá a outros leitores avaliarem).

 O que mais posso falar? Imagino que deva dizer muito obrigado, muito obrigado mesmo, pelos poemas “2014”, “artista”, “Nostalgia”, “Corrida espacial”, “Seguir”, “Pátria”, e pela simplicidade (e, como todas as coisas simples, verdadeira e brutal) arrebatadora da última estrofe do poema “Em fim, só”. Vida longa ao olhar que produziu tais versos, vida longa a esta iniciativa que os contém.

Paulo Scott, escritor

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What to ask of a poet besides that which only they can deliver? The voice and the madness, the longing and the ruptures in blood which can only arise from their writings, emphasizing that, despite the disasters, life is worth it, and art is worth it.

Some of the poems in this book really made me – first during the first reading, and then in the rereadings – stop absolutely everything I was doing in my writing routine here in Rio de Janeiro to think about what was being said; because they settled and surrounded me with empathy and not very usual senses in this life that should be lived in no hurry.

A generation never stops being a generation and, allowing dialogs and the imponderability of dialogs, a dysfunctional sort of eternity. I believe this is a voice that deserves to be heard. In it, confrontations and testimonies, and also passion, suggested from the moment in which certain comforts are no longer accepted (maybe for the realization that such comfort is death; I don’t know, it is up to other readers to assess).


What else can I say? I imagine I must say thank you, thank you very much for the poems “2014”, “artist”, “Nostalgia”, “Space Race”, “Proceeding”, “Homeland”, and for the rapturous simplicity (as all things simple, true and brutal) of the last strophe of the poem “Finally alone”. Long may live the gaze that produced such verses, long may live this initiative that contains them.

Paulo Scott, writer

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